SEGURANÇA ALIMENTAR NA INDÚSTRIA DE EMBALAGENS.

Conheça a importância e os desafios da produção de uma embalagem segura.


4 PASSOS PARA PRODUZIR UMA EMBALAGEM SEGURA.

A dinamização do mundo contemporâneo reconfigurou certos padrões do cotidiano. Cada vez mais pressionado pela conciliação entre sucesso profissional e vida pessoal, o homem moderno acelerou seu ritmo e viu seu tempo livre ser abreviado, o que impactou diretamente na qualidade de sua alimentação. Sempre apressado, ele se tornou refém de restaurantes e comidas congeladas, obrigando o setor a redobrar o foco sobre a segurança.


E a indústria alimentícia, para produzir produtos livres de contaminações e sem riscos, precisa estar atenta a um detalhe especial: a embalagem. “Ela jamais pode ser uma fonte de contaminação para o alimento, independentemente do tipo de material com a qual é produzida. Todos eles – vidro, lata, plástico, etc. – precisam estar adequados”, resume Marisa Padula, engenheira de alimentos e pesquisadora científica do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea), do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). Mas, o desafio é mais difícil do que parece. Praticamente todas as etapas da cadeia produtiva do setor, segundo Amanda Camargo, diretora da Seguralis, trazem riscos de contaminação. “Os perigos envolvem toda a etapa de elaboração, fracionamento, armazenamento e comercialização”, enumera a especialista.


Todos os riscos, porém, podem ser delimitados em três formas de contaminação: química, física e microbiológica. Na primeira, informa Padula, a própria legislação faz um controle adequado. Mas, para enfrentar as demais, é preciso atenção com as boas práticas de fabricação, pois elas “estão relacionadas ao processo que você utiliza”. Em geral, segundo a pesquisadora do Ital, as embalagens passam por altas temperaturas, o que pode resultar em sua contaminação microbiológica. Se a empresa utiliza água para resfriá-la, por exemplo, precisa ter cuidado com a qualidade dessa água.


Processo similar ocorre com a contaminação física. “Um copinho, por exemplo, pode ter pelo, cabelo, etc., e isso também tem a ver com as boas práticas, com o controle total do processo”, explica a especialista do Ital. Sua avaliação é reafirmada por Keli Cristina de Lima Neves, consultora em gestão de segurança dos alimentos da BR Quality. “Os riscos físicos são importantes e variáveis de acordo com o tipo de embalagem. Porém, em todos os processos de fabricação, o risco de contaminação física existe e deve ser considerado”, alerta. “Apesar disso, as indústrias de embalagem podem garantir a microbiologia com medidas simples, adotando Boas Práticas de Fabricação.” Nesse sentido, acrescenta Padula, existem várias normas internacionais que podem certificar a boa prática. “Esses processos falam o que é ideal para a produção da embalagem. Aqui no Brasil, já temos uma consulta pública [n° 42, de 13 de maio de 2015] e esperamos que a Anvisa publique logo.


Ela dispõe sobre boas práticas de fabricação para empresas que produzem embalagens alimentícias.”


Confira, portanto, quatro dicas para garantir a produção segura de embalagens, segundo orientação de Amanda Camargo, especialista da Seguralis:


1. O material sanitário deve ser bem escolhido. Verifique na legislação sanitária o tipo de material que pode ser utilizado para o contato direto com os alimentos;


2. As instalações físicas e as tecnologias envolvidas devem estar íntegras e adequadas ao processo;


3. A higienização dos equipamentos envolvidos no processo são de extrema importância;


4. Os colaboradores envolvidos devem passar por treinamento e capacitação para que possam trabalhar de forma adequada e evitar que os equipamentos não sejam fonte de contaminação.


As indústrias de embalagem podem garantir a microbiologia com medidas simples, adotando Boas Práticas de Fabricação.


A LEGISLAÇÃO, A LISTA POSITIVA E AS MIGRAÇÕES.


Embora as boas práticas sejam um importante balizador para uma embalagem segura, as empresas do setor precisam estar atentas a outras variáveis durante o processo de produção, como seguir atentamente a legislação. Em geral, conforme explica Amanda Camargo, da Seguralis, a regulamentação nacional das embalagens segue os parâmetros do Mercosul, que são baseados nas normas do FDA (Food and Drug Administration), dos Estados Unidos. “Grande parte das embalagens é isenta da obrigatoriedade de registo na Anvisa, porém, devem ser seguidas as exigências técnicas definidas em vigor, segundo a Resolução RDC 27/2010.” Embora boa parte não precise de registro, a consultora Keli Cristina lembra que, de acordo com o artigo 8º da Lei n. 9782/99, a Anvisa possui competência de regulamentar, controlar e fiscalizar produtos e serviços que envolvam risco à saúde pública, o que inclui as embalagens de alimentos.


Dessa forma, as empresas precisam seguir requisitos específicos e obterem o registro local. “A legislação nacional para a indústria de embalagens exige que as empresas estejam devidamente licenciadas junto ao órgão de vigilância sanitária de sua localidade e atendam aos requisitos específicos, definidos nos regulamentos técnicos em vigor para cada tipo de embalagem”, aponta a especialista da BR Quality.


A legislação, assim, oferece uma grande contribuição ao setor de embalagens. Se a contaminação física e microbiológica pode ser sanada com boas práticas, segundo Padula, do Ital, a química é quase totalmente combatida pelas normas. “Há sempre a interação da embalagem com o alimento.


O vidro, por exemplo, tem uma interação menor, mas tem o fechamento, a tampa. A lata metálica tem o verniz interno de proteção, e o plástico não é inerte. A legislação garante a segurança ao estabelecer o que chamamos de lista positiva”, detalha a pesquisadora.


Uma empresa, portanto, só pode utilizar o que está descrito nessa lista, que nada mais é do que a relação de substâncias que foram estudadas do ponto de vista toxicológico e cujo aplicações já têm regra estabelecida – algumas têm limite, outras não, e uma determinada parte é proibida. “A segurança química da embalagem está em respeitar essa lista positiva.


Quando você não segue a lista, corre o risco”, orienta a especialista do Ital. Outro importante conselho às empresas do setor é fazer o controle adequado do limite da migração total (quantidade de componentes transferida dos materiais em contato com alimentos ou seus simulantes, nas condições usuais de emprego, elaboração e armazenamento, ou nas condições equivalentes de ensaio, segundo definição da Anvisa) e da migração específica (quantidade de um componente não polimérico particular de interesse toxicológico transferida dos materiais em contato com alimentos para os alimentos ou seus simulantes, nas condições equivalentes de ensaio). “É preciso atenção com a questão da migração total e da migração específica. Alguns componentes precisam de controle individual. Então, as empresas precisam respeitar as listas positivas e os limites de migração”, resume Padula.


Ainda assim, embora seja clara e precisa em suas orientações, a legislação nacional também traz alguns entraves. E o principal deles é a vagarosidade na atualização das listas, o que impede o maior grau de inovação no setor. “A atualização dessa lista é um pouco devagar no Mercosul. Alguns componentes já foram aprovados lá fora, mas não foram incluídos aqui. Então, não podemos usar algumas importantes inovações”, alerta a pesquisadora.



A INOVAÇÃO E SEUS OBSTÁCULOS.


A disseminação da inovação na indústria de embalagens e o respeito das empresas à legislação ocorrem, em parte, como apontam os especialistas, devido à parceria entre os diversos elos da cadeia. “Muita gente respeita as regras aqui no Brasil, geralmente as empresas de alimentos, sobretudo as maiores, que acabam exigindo esse controle”, afirma Padula, do Ital. “Podemos afirmar que, atualmente, mais do que a legislação, quem está cobrando adequações das indústrias de embalagens são seus clientes, as indústrias de alimentos”, reitera Keli Cristina, da BR Quality.


Ainda assim, como pondera Juliane Dias, sócia da Flavor Food Consulting e fundadora da Associação Food Safety Brazil, há um pequeno ponto de tensão sobre o custo de comprovação da segurança dos materiais, o que dificulta o maior desenvolvimento da inovação no setor.

“A indústria de alimentos é responsável por garantir que seu produto seja seguro, incluindo suas matérias-primas e seus materiais de contato, como a embalagem. E, para isso, precisa utilizar embalagens que atendam aos requisitos de inovação, de composição, etc. Só que para fazer essas análises, existe um custo elevado”, detalha a especialista da Food Safety Brazil, uma associação sem fins lucrativos que ajuda empresas de alimentos a melhorarem suas práticas.


O debate que emperra o desenvolvimento, então, é: de quem deve ser esse custo? A indústria de alimentos, por um lado, segundo Dias, quer comprar da indústria de embalagens um material que seja seguro e que venha com os devidos laudos de migração, só que a indústria de embalagens refuta que a indústria de alimentos é quem sabe como vai aplicar as temperaturas, a vida de prateleira e as características dos alimentos - se vão ser ácidos, alcoólicos, aquosos, secos ou gordurosos.


“Por isso, temos esse empurra-empurra”, avalia a especialista. “A indústria entende que precisa comprar de um fornecedor seguro. Mas o fornecedor entende que a indústria é ‘dona de seu nariz’ e sabe como vai usar o produto que está fabricando.”


Outro importante fator que dificulta o desenvolvimento da inovação é, segundo Claire Isabel Grígoli de Luca Sarantopóulos, pesquisadora sênior do Cetea-Ital, a própria formação dos profissionais. A indústria, garante ela, até atende bem aos principais quesitos de segurança. “Mas existe hoje um gap, uma falta de informação do que o produto precisa e do que a embalagem deve oferecer em termos de proteção e segurança.


O design é muito desenvolvido, há estudos sobre o consumidor, mas na área de proteger e conservar ainda há esse gap. A indústria sabe fazer um bom produto, mas falta visão de estabilidade”, avalia. “E isto está muito associado à formação de profissionais para entender melhor essas questões”.


Claire, contudo, garante que o setor oferece uma boa segurança alimentar. A legislação, por um lado, é boa e cobre todo o perigo toxicológico. E as indústrias, por outro, também têm investido em inovação, sobretudo em alguns critérios. “Fora a parte toxicológica, as indústrias têm desenvolvido embalagens com propriedade de barreira capazes de preservar o alimento por mais tempo, evitando que ele seja comprometido por fatores microbiológicos”, finaliza a pesquisadora.


REFERÊNCIAS.

http://cetea.ital.sp.gov.br/

http://foodsafetybrazil.org/

https://brqualityconsultoria.com.br/

http://www.seguralis.com.br/

http://portal.anvisa.gov.br/registros-e-autorizacoes/alimentos/produtos/embalagem

http://portal.anvisa.gov.br/duvidas-frequentes-materiais-em-contato-com-alimentos

http://portal.anvisa.gov.br/documents/33916/396299/DIRETORIA_COLEGIADA_27_2010.pdf/3d2ea4a0-6962-452a-b57d-11d09e8d0c6e

http://www.abre.org.br/noticias/seguranca-alimentar-na-industria-de-embalagens/

https://www.fispaltecnologia.com.br/pt/a-feira.html


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